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"CHEGOU O GENERAL DA BANDA! ALBINO PINHEIRO, ALEGRIA DO RIO"
Alegria,
Alegria, espero que nesse Carnaval todos tenham muita Alegria!
Aliás,
essa palavra de nobre sentido, sempre esteve presente na minha vida.
Estou chegando para passar um pouco de Alegria para vocês. Vim contar
minha história. Trabalhei muito em prol da cultura carioca, cidade com a
qual sempre me identifiquei.
Produzi filmes, espetáculos culturais, fui grande admirador da Música
Popular Brasileira, e colecionei inúmeros amigos. Tive grandes paixões e
deixei um grande legado para o carnaval.
Neste
momento, quero mostrar um pouco da minha vida, do meu trabalho. Espero
que vocês gostem. Afinal, a minha vida que sempre foi de alegria, será
da ALEGRIA DA ZONA SUL.
1 – A CARA DO RIO
Carlos
Drumonnd de Andrade, meu grande amigo, costumava dizer: “O Mar Desenha o
Rio de Janeiro” para exaltar sua beleza natural e o lindo contraste
entre o mar e as montanhas.
Bem,
nasci em 23 de setembro de 1933 no Pró-Matre da Praça Mauá, tive a sorte
de ser concebido nesta Cidade linda, maravilhosa. Sou filho de Albino de
Mesquita Pinheiro e Elza Maria Coelho Pinheiro, que tiveram ao todo sete
filhos. Pela ordem cronológica: Elza, Albino, Cláudio Luiz, Amaury,
Heloiza Maria, Fernando e Paulo todos Coelho Pinheiro, todos cariocas.
Como
bom carioca comecei nos blocos de sujo em Laranjeiras, desfrutei da
boemia, do samba, e do futebol. Herdei a veia artística do meu tio
Custódio Mesquita que foi um dos grandes compositores da Música Popular
Brasileira. O tempo foi passando e me formei em Direito, em 1957, pela
Universidade do Rio de Janeiro.
Outro
grande amigo, o Jaguar, classificava-me como “mulatólogo”, coisa de
gênio.
2 - O AGITADOR CULTURAL
A
cultura sempre me acompanhou. Dediquei grande parte da minha vida a
projetos que visavam oferecer cultura ao povo, trabalho que me dava
muita Alegria, nunca me conformei com a divisão social, fraseando o
poeta: “O Povo não quer só comida, ele quer diversão e arte”.
Entre
as décadas de 70 e 90 dirigi inúmeras peças teatrais, programas de rádio
e de TV. É difícil encontrar alguma forma de manifestação de cultura
popular no Rio de Janeiro nessa época que não tenha minha participação
como vocês poderão ver a seguir.
Em
fevereiro de 1965 fundei a Banda de Ipanema, da qual fui presidente até
1999. A Banda foi responsável pelo ressurgimento do carnaval nas ruas da
Zona Sul da cidade, em um primeiro momento e, em seguida, por toda a
cidade, pelo Estado, com o tempo, pelo país, reproduzindo o seu modelo
de desfile. Sua identificação fundamental como espaço único de expressão
democrática marcou e marca, ainda, sua presença no cenário cultural da
cidade. A Banda de Ipanema tornou-se o primeiro bem imaterial tombado no
Rio de Janeiro, em janeiro de 2004.
Outro
grande projeto cultural da cidade nasceu da sugestão que dei ao amigo
Hermínio Bello de Carvalho de aproveitar o horário das 18:30 h nos
teatros carioca, com show de Música Popular Brasileira. Assim, em agosto
de 1976, surge o Projeto “Seis e Meia” em que se afirmaram a Música
Popular Brasileira, seus intérpretes e compositores.
Criei
e apresentei o programa “Só pra Lembrar”, da TV Educativa, em que se
relembravam e reproduziam grandes momentos de nossa música popular e se
completavam com muitos registros e entrevistas. Uma obra importante na
recuperação e valorização de nossa memória musical
Promovi Festivais e Concursos de Música Popular nas tradicionais Festas
da Penha, nos meses de outubro. Não posso deixar de citar os Banhos de
Mar à Fantasia em várias praias da cidade, a recuperação de uma tradição
hoje esquecida do Rio de Janeiro.
Participei direta ou indiretamente em inúmeros seminários, encontros e
conferências destinadas ao estudo da cultura popular, no Rio de Janeiro
e no país. Presidi a Associação Brasileira de Pesquisadores da Música
Popular. Fui comentarista de televisão e rádio de eventos principalmente
ligados à música popular, inclusive nos de Escolas de Samba. No cinema
também tive grande participação, onde destaco o Filme rodado por Paulo
César Sarraceni, sobre Natal da Portela, onde produzi e atuei.
Nessa
minha vida cultural, fiz e colecionei inúmeros amigos e espero revê-los
nesse grande momento de Alegria.
3 – A BOEMIA E AS PAIXÕES
Fui um
Carioca nato apaixonado pela vida, além de ser amante da cultura, tive
outras grandes paixões.
O
Fluminense, que freqüentei desde criança é o time de toda a minha
família, aliás, o time foi um marco na minha vida. Meus pais se
conheceram em Macaé quando meu pai, Albino, jogava pelo clube e foi
realizar um amistoso naquela cidade. Grande amistoso!
Gostava de ir ao Maracanã ver os jogos do meu Clube, o Fluminense.
Ganhando ou perdendo era sempre motivo de tomar algumas cervejas pela
cidade.
O
Carnaval também marcou meu coração. Não perdia um desfile de escolas de
samba e sempre me emocionei assistindo a minha grande paixão
carnavalesca: a Portela. As constantes idas a Osvaldo Cruz eram uma
festa que se iniciava na preparação e só acabava na manhã seguinte.
Era
também “mulatólogo” como bem me denominou meu grande amigo Jaguar. Esse
nome se deve ao meu grande carinho pela mulata carioca, que em suas
curvas me fazem lembrar os traços da Cidade.
Meu
coração se rendeu aos encantos da linda mulata, Rose, onde ela desfila
até hoje, além de ser a porta-bandeira da Banda de Ipanema.
Relacionar meus amigos não é uma tarefa fácil, pois corro o rico de
esquecer alguém, mas vale apenas mencionar uma pequena parcela daqueles
que, com certeza, ainda aí com vocês, exigirão que seu nome seja dito.
Entre eles estão Fausto Wolff, Fernando Pamplona, Hermínio Bello de
Carvalho, Ilmar Carvalho, Jaguar, J. Ruy, Márcio Donnici, Paulo Cesar
Saraceni, Rose Nicolau, Sergio Cabral e Ziraldo, mas vamos dizer que
toda a cidade estava e está no seu coração.
4 - A BANDA DE IPANEMA
Dediquei a minha vida à cultura, então, quando tive a iniciativa de
fundar uma Banda, queria reviver os carnavais de rua que aprendi a
gostar desde criança.
Quando
organizei a Banda de Ipanema, me chamaram de “O GENERAL DA BANDA” e de
“CACIQUE DA ALEGRIA”. Aliás, esse nome se deve ao grande propósito da
Banda, tirar sarro da vida.
Em 1965, com o nosso primeiro desfile, pude ver a Alegria
estampada no rosto das pessoas. Eram crianças, jovens, adultos, velhos,
ricos, pobres, homos, heteros, famosos, anônimos, bêbados, todos
brincando juntos o Carnaval. Elegi Eneida como a primeira Madrinha da
Banda e a eterna Leila Diniz foi exaltada como a Grande Rainha.
Mesmo
quando os militares quiseram acabar com a Banda e infiltravam espiões
nos desfiles, os mesmos percebiam o espírito da diversão e acabavam
caindo na folia. A Banda de Ipanema era totalmente democrática e serviu
de referencia e ponto de encontro de diversos intelectuais. Reuniam–se
nesse evento o pessoal do Pasquim, do Cinema Novo, do Teatro e da Bossa
Nova. Esse era o meu espírito: a confraternização total, mas sem
alienação. Grandes nomes passavam pela Banda: Oscar Niemeyer, João
Saldanha, Ziraldo, Tom Jobim e outros que ajudavam a divulgar ainda mais
o sucesso da dela.
Sempre
quis homenagear personalidades brasileiras, entre tantos, destaco os
seguintes nomes: Cartola, Nelson Cavaquinho, Jorge Veiga, Elizeth
Cardoso, João Bosco, Marília Pêra, Beth Carvalho, Carmem Costa, Paulinho
da Viola, Braguinha...
Que
bom que a Banda continua a tocar no Carnaval, e ainda mantém seu charme
e os seus grandes propósitos, a Grande Griff do Carnaval.
Gostaria de encontrar neste momento mágico e universal que é o Carnaval
Carioca muita Paz, Harmonia e Alegria, espero que vocês tenham gostado
da minha história...
Para
quem não me conhece sou:Albino Coelho Pinheiro, Albino Pinheiro da
Alegria da Zona Sul e do Rio de Janeiro.
Texto: Cláudio Pinheiro
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