"DE SANTO ANTÔNIO DE SÁ AO PÓLO PETROQUÍMICO, ITABORAÍ... UMA TERRA ABENÇOADA!"

Índio eu sou!
E vou revelar na avenida...
A "fonte de Itaboraí"
Vem da Pedra Bonita na água escondida
Com a fidalguia a chegar
Tornou-se então Santo Antônio de Sá
Na formação da terra
Vive entre a paz e a guerra...
Plantar, colher cana-de-açúcar... Prosperar,
No Porto das Caixas exportar

Erguida da terra, moldada no barro
Caminho traçado à evolução
Itaboraí: Perfil do teu povo,
Vem dos segredos encontrados neste chão


Do espelho d'água vejo a beleza
Abençoada a natureza
O frei de bom coração
É lembrado em forma de oração
No cortejo da folia a estrela me guia
À pedra que não se esconde mais,
Da sua profecia, nasce um samba de paz
Do Pólo Petroquímico vai reluzir,
Nobre futuro a conduzir
Itaboraí, à força da nação
No Carnaval eu me achei
Na linha do tempo, senhor da razão

Caprichosos quer voltar!
Pra fazer Pilares cantar mais feliz
E beber da "fonte" outra vez!
Com "Visconde" e o "Marquês"
Abençoada seja Itaboraí


 

   
 

Fundação:
19/02/1949

Cores:
Azul e branco

Quadra:
Rua Faleiros, 01 - Pilares

Presidente:
Paulo de Almeida

Diretor de Carnaval:
-

Diretor de Harmonia:
-

Diretor de Bateria:
Alexandre e Zumbi

Resp. Ala das Baianas:
-

Resp. Ala das Crianças:
-

Resp. Comissão de Frente:
-

Resp. Galeria de V.Guarda:
-

1º Casal de M.S e P.B:
-

2º Casal de M.S e P.B:
-

Carnavalesco:
Lane Santana

Compositores:
Aurélio Proença, Paulo Apparicio, Adão, Julio César e Paulo Roberto

Intérprete:
Zé Paulo

Site:
-

 

"DE SANTO ANTÔNIO DE SÁ AO PÓLO PETROQUÍMICO, ITABORAÍ... UMA TERRA ABENÇOADA!"

Assim o tempo me ensinou: que de tudo que se avalia, segredo, mistério,
magia. Índio como sou eu já pressentia... Vinha de uma pedra bonita
escondida na água toda sabedoria. Bendita pedra que tudo podia, dela até
palavras sagradas se ouvia: "abençoada seja esta terra". Predestinada,
cumpriu o que se dizia de suas entranhas a "Fonte de Itaboraí" nasceria. E é
no caminho das águas que tudo se inicia, Itaboraí é cria que semeia e
procria o fruto de sua profecia.

Desvendando sigo encantado, como um "arauto" abençoado que na folia chego
pra dá o meu recado. Tamoio, tupi, são indígenas, que muito antes das
estabelecidas sesmarias, povoavam Itaboraí. Estendendo nossos olhares além
daqui, a colonização. Era português, francês, numa só invasão, tudo de olho
no nosso torrão.

Recordo a tradição, que no sopro do vento esses homens aqui chegaram com um
novo procedimento. E o nosso encantamento? Como hei de ficar? A "Fonte de
Itaboraí" passou a se chamar Santo Antonio de Sá, em nome dos fidalgos
portugueses que acabaram de chegar.

Um curato jesuítico ditava o sermão: criar aldeamentos é o primeiro passo à
nossa ocupação. Pois lhe digo: que não narro de memória, mas sim por ter
vivido ao longo dessa História. Sou o índio, que na formação dessa terra
fiquei entre a paz e a guerra.

Engenhos, Capelas, Fazendas. Fé e trabalho se abrem como fendas, num
prodigioso acadar, plantaram a cana-de-açúcar como doce ao seu paladar.
Extensos canaviais: eram muitos, eram tantos que nem dá pra precisar. Mas
aqui fica a certeza de que a exportação dessa "natureza" fez Itaboraí
prosperar.

Plantar, colher e exportar. Num vai-e-vem que parecia não acabar; na época,
Itaboraí era o celeiro: o maior empório comercial da cidade do Rio de
Janeiro. Agora tudo se encaixa, era de lá, do Porto das Caixas que partiam
os produtos para além-mar.

Na benção seu caminho foi traçado. Itaboraí ergue-se da terra, modula-se no
barro, adornada segue sem pecado. Lança-se no tempo como ninguém viu:
ferrovias, fábricas, olarias. Desde então, já se via em seu solo varonil uma
rica produção de telhas, tijolos e até cerâmica à construção civil.

De um jeito ou de outro é indígena a herança de seu povo. Neste sentido,
procede que Itaboraí tem lá os seus mistérios. Tal segredo vem do calcário;
da terra, descobriu-se um sítio paleontológico: fosseis e artefatos de um
povo muito distante. E não faltou comentário, a cerca de um parecer datário,
como fonte de estudo de cientistas e universitários.

Terra abençoada! Que daqui do espelho d'água vejo como é bela e delicada. E
por tudo que Deus criou: a água, a terra, o fogo e o ar. Itaboraí de sua
"Fonte" sempre os valorizou...

Mas Itaboraí vai além. De sua terra provém um santo, que por ela caminhou
lavando as dores e enxugando o pranto. Antônio de Sant'Anna Galvão que,
aqui, em romaria é lembrado em canto e oração.

Essa mistura não se deu à toa. Itaboraí exalta dessa terra boa, a fé e a
magia. Traz dos "céus" a estrela guia e mostra na Avenida o cortejo da
folia. E nos caminhos da alegria, como não podia faltar, tem manifestação da
cultura popular. Vem da festa da laranja a sua forte simbologia,
representada pela vida que a todos contagia, é a ligação entre a terra e o
seu povo em harmonia.

Ergue sua pedra, que fora escondida e, agora não mais. Singela, como um
aceno na beira do cais, nasce de sua profecia, caprichosamente, um samba de
paz.

Marca a esperança como fruto de sua bonança e na certeza de que no futuro o
melhor está por vir, Itaboraí se faz "Nação". Pólo petroquímico, novos
ciclos econômicos, tudo que vem de ti, aqui, se mostra em ação e, nos
encanta como fonte de sua "Criação".

Vem brincar! A Caprichosos de Pilares se veste de Itaboraí nesse carnaval.
Nessa alegria, sem igual, vem sambar. Para te homenagear, vem também o
Marquês de Sapucaí e o Visconde de Itaboraí e desse eu não preciso nem
falar, o seu nome já diz o quanto lhe é familiar.

Na linha do tempo eu me achei e, na Avenida, minha linda Itaboraí, eu te
abraçarei. E tão logo que pra "Fonte" eu voltarei, levarei comigo a certeza
de quanto tu és iluminada e que para sempre serás a nossa terra abençoada.

Carnavalesco: Lane Santana
Pesquisa e texto: Marcos Roza