"ROCINHA É MINHA VIDA... NORDESTE É MINHA HISTÓRIA!"

Luz da imaginação, riscou o céu de poesia
A borboleta encantada na avenida iluminada
Faz a festa e anuncia
Mostra a saga de um destino,
Que esse povo peregrino, sonhou
E hoje a Rocinha é meu Nordeste, é meu irmão
Um pedacinho lá do meu sertão

Eu danço congo e maracatu
Nesse reisado encontrei você
O meu tambor tem axé
No Rei Xangô tenho fé
Pro mau olhado figa de guiné

Lutas em cada canto, uma esperança, uma razão
Zumbi valente não se rende a opressão
E vai buscar a liberdade
Já dizia Antonio Conselheiro, lute pela paz em comunhão
Cabra da peste era Lampião, na fé de Padre Cícero Romão
Tem romaria lá no Juazeiro
Vou pagar promessa ao meu padroeiro
Hoje sou mais um rei, trago a herança do agreste na canção
Artistas, repentistas, escritores
Eis o meu samba em forma de oração

Alô Rocinha, meu Nordeste é isso aí!
Se liga quanta emoção
É minha vida, minha paixão
Bate forte no meu coração

   
 

Fundação:
30/03/1988

Cores:
Azul, verde e branco

Quadra:
Rua Bertha Lutz, 80 - São Conrado

Presidente:
Mauricio Mattos

Diretor de Carnaval:
Pedro Arídio

Diretor de Harmonia:
Jorge Mariano

Diretor de Bateria:
Pato Rocco

Resp. Ala das Baianas:
Ismael da Silva Oliveira

Resp. Ala das Crianças:
Louisiana Chaves "Lu"

Resp. Comissão de Frente:
Luciana Yegros

Resp. Galeria de V.Guarda:
Carlos Mariano de Souza

1º Casal de M.S e P.B:
Daniel Elegância e Alessandra Chagas

2º Casal de M.S e P.B:
Valley e Fabiana Martins

Carnavalesco:
Fábio Ricardo

Compositores:
Isaac, Wander Timbalada, Bitinho, Lula Antunes e Mauro Barros

Intérprete:
Anderson Paz

Site:
www.academicosdarocinha.com.br

 

"ROCINHA É MINHA VIDA... NORDESTE É MINHA HISTÓRIA!"

Introdução:

O Nordeste é meio irmão da Rocinha pela sua gente que veio renascer numa cidade que não tem um bom berço para abrigar. Mas que tem seus filhos no parto da alegria.

A história nordestina é uma das mais ricas em seus valores culturais e de luta pela vida. Seus heróis e seus sertões, que se confundem nas secas e batalhas, seus ilustres e anônimos que se unem numa confraria de coragem.

Sua sabedoria intensa e sua cultura simples que nos ensinam a ser brasileiro. Nosso enredo para 2008 é relembrar quem fez do Nordeste uma pátria tão amada quanto o Brasil.

Como Antonio Conselheiro, cujo conselho era ter perseverança e ambição pela felicidade.

Os Acadêmicos da Rocinha vão descer aquelas alamedas e ruas estreitas para mostrar, em forma de samba, que todos cantam a liberdade.

Que todos querem um grito de paz.

Que a beleza vem lá de Pernambuco, Ceará, Paraíba, Bahia, contada por seus reis de ontem, vivida por seus heróis de um dia após outro.

A beleza que se transforma em um desfile de Carnaval no Rio de Janeiro. Onde a vitória é ver a platéia fazer de conta que a história que está passando em alas e alegorias é o conjunto de uma nação unida.

Sinopse:

A Borboleta da Rocinha voa e vai buscar num tempo iluminado, puro e sem pecado, a andança de um destino... O enredo do seu samba pra cantar a saga do povo nordestino. Pousa e anuncia: “Rocinha é minha vida. Nordeste é minha História”. Numa só celebração, de Zumbi ao Rei do Baião, a Rocinha apresenta os Reis do Nordeste da capital ao sertão.

Brilha no céu a estrela guia, nas cores da folia, uma nobre gente. Três Reis Magos peregrinaram lá das bandas do Oriente, sob a régia um destino: anunciar o nascimento do Deus menino. É o auto de um povo pacato, feliz e abençoado, que na dança e no canto chega pra dá o seu recado. Tem cantoria é festa do reisado.

Vencendo o lamento e escondendo a dor, da África reis e rainhas aportam em solo brasileiro sem nenhum valor. Uma vida, um engano, em “terra de homem branco” dia e noite, noite e dia: escravo não era “gente”, nem tão pouco “inteligente” era mercadoria, usufruto da nobre “fidalguia”.

Tanta amargura; meio a opressão, um ato de bravura! A festa do negro se faz no congado: o Rei Congo é coroado. É canto e dança pra todo lado é maracatu batendo tambor sob o luxo de seus bordados, sem choro e sem dor, com muito brilho e muita cor.

Tem batuque, tem gira de fé. O negro é Rei nos terreiros de candomblé. Culto sagrado, que faz da reza um canto, a cada pai de santo, um axé. Obá sarava! Mas quem pode com mandinga não carrega patuá. Peço licença ao Ketu, ao Jejê e ao Nagô, para louvar o Orixá da justiça, nosso Rei Xangô.

Em cada canto soa um grito de esperança ou de agito, nossa reação. Cada qual com sua verdade, Zumbi e mil palmares reagiam, aquilombados, contra a atrocidade em nome da Liberdade.

Povo aguerrido, por ser simples morria mais, como devia de acontecer. “Pobres mascates, e até alfaiates entravam na guerra sem saber”. Da revolta praieira uma tradição, eclode na região pernambucana a Insurreição. Levante, guerra, balaiada, revolução. Miscigenaram-se num só princípio de unidade geral ganharam um só corpo, virando uma só gente, unidos a uma Conjuração. Armados da palavra a tiros de espingarda, difícil situação, índios, brancos, negros lutavam contra a tal opressão.

Em Canudos é gente sofrida, que tudo que tem na vida é o sacrifício da promessa cumprida. Na bonança todos – homem, mulher, velho e criança – tinham absoluta confiança, cantavam em romaria e se admiravam do sermão daquele guia. Lute pela paz ele dizia, e mais adeptos adquiria... “A História nunca provou se era santo ou embusteiro. Só se sabe que tinha o nome de Antônio Conselheiro”.

Salvo de uma emboscada, de Virgulino, vez por outra comentada, não era conhecido. Devoto e afilhado de Cícero Romão, sujeito precavido, numa batalha, nunca se dava por vencido. Em qualquer situação, no braço ou no facão, a cada passo era Lampião: o Rei do Cangaço.

Nordeste, terra abençoada onde a fé faz sua morada. Terra bendita, de um misticismo religioso, de um deus de carne e osso: Padim Padre Ciço. Vem gente de tudo que é canto, devoto, promesseiro até romeiro, pedir a benção do tal pastor de Juazeiro.

Com a seca fica a lembrança, de que com o tempo tudo muda. Era um Deus nos acuda! Mas da cidade grande provinha à esperança de alguma ajuda. Foram muitos os “Severinos” que ganharam o mundo em desatino... Num flagelo peregrino, retirantes, nordestinos como sou... Que a arte pelas mãos de Portinari, os consagrou.

Na fé o caminho é traçado. Os nordestinos conquistam os seus reinados; como herança da peregrina travessia, afinal, nunca se viu nada igual, a Rocinha é uma “Nação Nordestina” em plena capital do carnaval.

Do sertão a capital, os filhos do agreste reinventam o “mundo das artes” de uma forma sábia e magistral. No forró e no artesanato, num encanto de um poema, nas telas de cinema, tudo cultura, como em toda literatura, nordestina é sua assinatura.

Artistas, músicos, repentistas, cineastas, escritores... Não há aquele que não preste atenção, na letra de uma simples canção e leva consigo até mesmo a Asa Branca, que bateu asas do sertão. A essa altura nos conduz à leitura de um conto de amor doce e clemente, “A Pedra do Reino” de Ariano Suassuna. Que, pois eu lhe digo sem ter medo de errar, que se trata de um livro que conta à história do povo desse lugar, do encontro entre o erudito e o popular.

As imagens ultrapassam as fronteiras da criação. Atrevido é aquele que diz não conhecer, o que no sertão se conhece desde de menino, a arte no barro de mestre Vitalino. Do lado de cá, vindo da Paraíba e da Bahia, conhecido como a “Sétima Arte”, aos olhos do povo é nordestino o nascimento do “cinema novo”. Ação! “Deus e o diabo na terra do Sol” um filme de Glauber Rocha narrando o sertão.

A Borboleta da Rocinha cumpriu o seu destino... No encontro ou na despedida, faz um samba, uma oração...Dessa terra prometida, de sorrisos serenos que brilham no cais; após um aceno, repleto de paz... Bate forte o coração, a Rocinha ascende às luzes da imaginação e estende na Avenida a sua maior paixão... É verde, azul e branco as cores de seu manto, que num encontro mágico e universal chamado carnaval, canta a riqueza do agreste e num vôo celeste, celebra os “Reis do Nordeste”.

Idéia original: Carnavalesco Fábio Ricardo
Texto: Marcos Roza